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Especial: Audiobooks e Blade Runner


Tive a oportunidade de adquirir um audiobook (ou audiolivro) de graça e resolvi aproveitá-la para ler (ou melhor, ouvir) um livro que há muito tempo desejava: Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?, de Philip K. Dick, que deu origem ao filme Blade Runner. Pretendo com esse post passar um pouco da minha experiência com um audiobook enquanto faço uma mini-resenha dessa obra que, já adianto, é excelente e provocante do seu próprio jeito.

Em primeiro lugar há mais de uma maneira de se ouvir um livro. Pode-se tanto comprar o arquivo MP3 e escutá-lo como se fosse uma música, no computador, no celular ou em outro dispositivo qualquer, quanto usar um serviço especializado nisso. No meu caso usei o Audible.



Audible é um serviço da Amazon focado exclusivamente em audiobooks. O acervo deles é enorme e possuem um aplicativo gratuito para celular com várias funções, tais como controlar a velocidade da narração, marcar trechos preferidos e algumas outras. Por outro lado, a compra aqui no Brasil é dificultada por ser um serviço exterior e por também, até onde vi, só possuírem audiobooks em inglês.

Resenha: O Espadachim de Carvão, de Affonso Solano (@fantasycdp)



Título: O Espadachim de Carvão
Autor(a): Affonso Solano
Editora: Fantasy - Casa da Palavra
Páginas: 256
Ano: 2013
Skoob| GoodReads
Compre: Buscapé | Submarino
Kurgala é um mundo abandonado por Quatro Deuses. Adapak é filho de um deles.
E agora está sendo caçado.
Perseguido por um misterioso grupo de assassinos, o jovem de pele cor de carvão se vê obrigado a deixar a ilha sagrada onde cresceu e a desbravar um mundo hostil e repleto de criaturas exóticas. Munido de uma sabedoria ímpar, mas dotado de uma inocência rara, ele agora precisará colocar em prática todo o conhecimentos que adquiriu em seu isolamento para descobrir quem são seus inimigos. Mesmo que isso possa comprometer alguns dos segredos mais antigos de Kurgala.

Admito que tive um certo receio em resenhar esse livro. A razão é que, de certa forma, conheço o autor já há anos, através de um podcast que ele mantém com seus amigos, o MRG. Por já simpatizar com o Affonso tive medo de que isso pudesse influenciar minha opinião sobre o livro, mas meu medo foi infundado. Após ler O Espadachim de Carvão em apenas quatro dias posso dizer, sem nenhum remorso, que foi uma ótima leitura.

– Bom, as Tábuas Dingirï contam que no começo de tudo, Kurgala era um enorme mar sem fim. E os espíritos de Abzuku e Tiamatu eram seus senhores, e nada mais além deles existia.
Página 67

Resenha: Herdeiros do Trono, de Elysanna Louzada





Título: Herdeiros do Trono, Vol. 1
Autor(a): Elysanna Louzada
Editora: Ases da Literatura
Páginas: 352
Ano: 2013
Skoob | GoodReads
Compre: Buscapé | Submarino
PETRA é um mundo, moldado pelo Deus Criador, a partir da energia cósmica do universo, em que doze reinos foram unidos para serem governados por um único rei e uma única rainha. Justiça, amor e obediência as Leis da Criação eram os requisitos necessários a esses governantes. Enquanto essas virtudes permanecessem intactas, Petra seria um lugar de Paz. Uma guerra pelo poder, deflagrada pela Primeira Rainha, no entanto, abalou o Reino Unido. O Primeiro Rei e seus fiéis cavaleiros derrotaram a monarca, mas o equilíbrio inicial não poderia ser novamente restabelecido sob as mesmas bases.
Milênios se passaram e as histórias dos Cavaleiros Sagrados foram tomadas como narrativas fantásticas. De todas as tradições esquecidas, entretanto, uma permaneceu intacta: todo monarca de Petra precisava sagra-se cavaleiro para ser coroado. Por isso, uma única instituição no Reino Unido atravessou os milênios, inabalável: a Academia de Cavaleiros. Uma escola militar na qual Pedro, Eloise e Isabel sonhavam estudar. Ao contrário de Tommy, um jovem pugilista, que desprezava a instituição.


Herdeiros do Trono, Vol. 1 até tinha potencial para contar uma boa história de fantasia, mas é tão sofrível de se ler que acaba perdido em seus vários defeitos.

A técnica "não conte, mostre" foi invertida aqui, o que não seria necessariamente ruim se a escrita não fosse tão alongada, ao ponto de levar dois ou mais parágrafos para explicar algo que caberia numa simples frase. Tudo é descrito minuciosamente, desde a paisagem, que têm todos os seus micro detalhes revelados (para quem já leu Tolkien é um estilo parecido, só que sem a capacidade de te transportar para o lugar, característica dele) até os próprios sentimentos dos personagens, o que ironicamente faz com que eles pareçam artificiais e sem vida.

Resenha: Fahrenheit 451, de Ray Bradbury




Título: Fahrenheit 451
Autor(a): Ray Bradbury
Editora: Globo
Páginas: 256
Ano: 2012
Skoob | GoodReads
Compre: Buscapé | Submarino
A obra de Bradbury descreve um governo totalitário, num futuro incerto mas próximo, que proíbe qualquer livro ou tipo de leitura, prevendo que o povo possa ficar instruído e se rebelar contra o status quo. Tudo é controlado e as pessoas só têm conhecimento dos fatos por aparelhos de TVs instaladas em suas casas ou em praças ao ar livre. O livro conta a história de Guy Montag, que no início tem prazer com sua profissão de bombeiro, cuja função nessa sociedade imune a incêndios é queimar livros e tudo que diga respeito à leitura. Quando Montag conhece Clarisse McClellan, uma menina de dezesseis anos que reflete sobre o mundo à sua volta e que o instiga a fazer o mesmo, ele percebe o quanto tem sido infeliz no seu relacionamento com a esposa, Mildred. Ele passa a se sentir incomodado com sua profissão e descontente com a autoridade e com os cidadãos. A partir daí, o protagonista tenta mudar a sociedade e encontrar sua felicidade.

" — A escolaridade é abreviada, a disciplina relaxada, as filosofias, as histórias e as línguas são abolidas, gramática e ortografia pouco a pouco negligenciadas, e, por fim, quase totalmente ignoradas. A vida é imediata, o emprego é que conta, o prazer está por toda parte depois do trabalho. Por que aprender alguma coisa além de apertar botões, acionar interruptores, ajustar parafusos e porcas?"

Fahrenheit 451, de Ray Bradbury é um clássico, isso é inegável. Possui uma forte crítica social, assim como 1984, de George Orwell e Crime e Castigo, de Dostoyevsky. Porém, enquanto Orwell usa de um cenário distópico fictício e Dostoyevsky se baseia em um forte regionalismo, Bradbury foi aquele que mais se aproximou de nossa realidade atual como um mundo globalizado. Fahrenheit 451 é um livro mais contemporâneo hoje do que quando foi lançado. E temo que possa até mesmo ser uma previsão para o futuro.

Resenha: Paperboy




Título: Paperboy
Autor(a): Pete Dexter
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581632186
Páginas: 336
Ano: 2013
Skoob
Hillary Van Wetter foi preso pelo homicídio de um xerife sem escrúpulos e está, agora, aguardando no corredor da morte. Enquanto espera pela sentença final, Van Wetter recebe cartas da atraente Charlotte Bless, que está determinada a libertá-lo para que eles possam casar.
Bless tentará provar a inocência de Wetter conquistando o apoio de dois repórteres investigativos de um jornal de Miami: o ambicioso Yardley Acheman e o ingênuo e obsessivo Ward James.
As provas contra Wetter são inconsistentes e os escritores estão confiantes de que, se conseguirem expor Wetter como vítima de uma justiça caipira e racista, sua história será aclamada no mundo jornalístico.  
No entanto, histórias mal contadas e fatos falsificados levarão Jack James, o irmão mais novo de Ward, a fazer uma investigação por conta própria. Uma investigação que dará conta de um mundo que se sustenta sobre mentiras e segredos torpes.  
Paperboy é um romance gótico sobre a vida aparentemente sossegada das cidades do interior. Um thriller tenso até a última linha, que fala de corrupção e violência, mas que, ao mesmo tempo, promove uma lição de ética.

Com o filme chegando a alguns cinemas brasileiros essa semana (lá fora ele já estreou a quase um ano; só um pouco atrasado por aqui, né?) achei que seria interessante resenhar Paperboy. A sinopse me vendeu a imagem de uma trama cheia de investigação, suspense e reviravoltas. Mas aí está o primeiro problema com esse livro, a sinopse mentirosa.
Eu estava sentado na zona de carga e descarga, vigiando a chegada de outros veículos de entregas havia tanto tempo que um cachorro ofegante veio se deitar sob a sombra do caminhão para descansar.
Página 46

Dica Incomum #3: Leitura para os momentos ruins


Olá a todos. Já faz um bom tempo desde a minha última postagem aqui no blog e isso se deve a uma separação muito dura pela qual estou tendo que passar e que tirou todo o meu ânimo para fazer qualquer coisa. Mas essa semana que passou eu decidi que queria voltar, então me peguei pensando sobre o que eu poderia escrever que pudesse ser construtivo para o Leitora Incomum e para vocês que o acessam. Foi então que tive a ideia de dividir um pouco a maneira como estou lidando com a minha situação, caso algum leitor(a) esteja passando por algo parecido ou conheça alguém que esteja. O que eu ando fazendo, e muito, é tentar ao máximo distrair a minha cabeça com qualquer coisa, inclusive livros. E pelo que eu pude constatar até agora alguns tipos de livros funcionam melhor do que outros para isso, então aqui vão três recomendações minhas:

Livros que nos fazem pensar... muito


Sabe aquele clássico de Dostoiévski que você sempre quis ler mas tem medo de ser complicado demais? Ou então uma obra qualquer de Saramago cuja a a sinopse você adorou mas que mal consegue começar sem ficar completamente perdido(a)? Essa é a hora para ler esses livros. Descobri que quanto mais tenho que pensar naquilo que estou lendo, menos penso em qualquer outra coisa, o que faz com que eu me sinta melhor. 

Resenha: Terra Morta



Título: Terra Morta
Subtítulo: Fuga
Autor(a): Tiago Toy
Editora: Draco
ISBN: 9788562942327
Páginas: 248
Ano: 2011
Skoob
Romance de estréia de Tiago Toy, Terra Morta - Fuga imagina o apocalipse zumbi ambientado em São Paulo. Em 'Terra Morta: Fuga', o leitor acompanhará uma saga de sobrevivência ao terrível mal que assolou o interior de São Paulo e agora se dirige à capital. Tiago é um rapaz introspectivo que sempre sonhou em viver na megalópole de São Paulo e buscar novos desafios. Só não imaginava que sua chance chegaria da pior maneira possível. Jaboticabal, sua cidade natal, é o cenário de um terrível apocalipse zumbi, uma tragédia que parece saída de um videogame ou filme de terror. De repente, o jovem acostumado a treinos de parkour e muito trabalho precisa lutar para sobreviver. Nenhum local é seguro, ninguém mais é confiável, água e comida não são mais garantidas no dia a dia. Mesmo que a mente custe a acreditar, não há tempo para duvidar da realidade. A única opção é fugir. A cada pessoa que Tiago encontra, uma surpresa. Aliado ou inimigo? Nunca uma certeza. Tiago e seus companheiros deverão enfrentar o passado e seus medos, e em meio a um mar de zumbis canibais, descobrirão que o maior inimigo ainda são os humanos. Descubra a origem da infecção enquanto corre sem parar, uma aventura dramática que é sucesso na internet e agora se torna uma série de livros. Pegue apenas o necessário e corra sem olhar para trás. / Quer descobrir como a infecção começou? A versão do livro foi revisada e ganhou capítulos e personagens exclusivos, mas você pode acessar o blog Terra Morta e ler 23 capítulos online. http://terra-morta.blogspot.com.br/

Terra Morta - Fuga conta a jornada de Tiago, um jovem bastante incerto de sua própria personalidade tentando sobreviver a uma horda zumbi que tomou conta de sua cidade, Jaboticabal. Até aqui nada demais e, bem, o livro não apresenta muito mais do que isso, infelizmente. É só mais uma história com zumbis. Quando digo só mais uma história com zumbis não me refiro ao fato do mercado de entretenimento, de maneira geral, já estar mais do que saturado com esse tipo de história, mas sim ao fato de ser apenas uma história com zumbis, não apresentando nada de novo ou diferente ao gênero, explorando-o de maneira rasa.

Reflexões Incomuns #6: Multimídia nos livros, uma boa ou má ideia?


Já faz algum tempo que o fenômeno dos e-books, livros inteiros distribuídos eletronicamente para serem lidos em uma tela, vêm se alastrando e aumentado seu espaço nas vendas, desempenhando assim um papel fundamental tanto para espalhar a obra de autores já conhecidos como para alavancar a carreira de principiantes. Reconheço que os e-books possuem inúmeras vantagens (a imensa facilidade na distribuição, quando comparados aos livros físicos; a redução no uso de papel, poupando um pouco mais o meio ambiente no futuro; a facilidade na correção de erros, com novas edições podendo ser preparadas em um tempo muito mais curto; entre outras), mas a verdade é que sempre repudiei a ideia de ter um livro que não pudesse segurar em minhas mãos. Para mim, o livro não está contido apenas em suas palavras, mas também em sua capa, formato, textura, cor e até mesmo cheiro, coisas que os e-books não podem proporcionar. 

Resenha: Metrô 2033




Título: Metrô 2033
Autor(a): Dmitry Glukhovsky
Editora: Planeta
ISBN: 9788576655473
Número de páginas: 415
Ano: 2010
Skoob
Países inteiros destruídos, florestas devastadas, escassez de alimentos e água. O ser humano já não tem mais o comando sobre a Terra. Novas formas de vida a dominam. Um desastre nuclear varreu a superfície terrestre e obrigou os poucos sobreviventes a uma existência sem sentido e sem esperança nos túneis do metrô de Moscou.
É nesse cenário pós-apocalíptico que Dmitry Glukhovsky traz o tema que enche o ser humano de curiosidade e incerteza: a possibilidade do fim do mundo. Metrô 2033, que inspirou a criação de um dos games mais eletrizantes da atualidade, cria uma atmosfera caótica ao tentar mostrar como se comportaria um ser humano em um ambiente onde o que predomina é o instinto de sobrevivência.
Opinião do Colunista Guilherme
Metrô 2033 é um dos melhores livros de ficção que já tive o prazer de ler. Meu primeiro contato com a obra foi através do game, o qual achei consideravelmente bom e me atraiu para saber mais sobre o universo criado por Dmitry. Para minha grata surpresa, o livro supera em muito a trama do game, com detalhes criativos que estabelecem bem o cenário e questionamentos dolorosos sobre política, moral e religião e como o ser humano se encaixa em tudo isso.

Reflexão Incomum #5: Por que lemos?


Estava eu pensando sobre o que deveria escrever para minha primeira coluna no blog. Queria que fosse algo simples mas que também demonstrasse como eu desejo contribuir para esse singelo espaço literário e para todos os que ele frequentam. Foi então que me veio uma ideia: por que essas pessoas, eu incluso, gostam de ler? O que as atraí tanto nessa atividade a ponto de passarem horas e horas exercendo-a? Afinal, o que há de tão especial na leitura?

Essa com certeza não é uma pergunta nova. Na verdade ela deve ser quase tão antiga quanto a invenção da própria escrita. E antiga o suficiente para ter gerado uma boa dose de respostas-padrão. Mas aí é que está, eu não gosto de respostas-padrão. Da maneira como vejo, respostas-padrão são eficientes quando estamos lidando com Matemática, Física ou qualquer outra ciência exata que exija uma resposta exata, portanto um padrão. A Escrita e a Leitura não são exatas. A Escrita e a Leitura são as formas mais primitivas e universais que o ser humano possui para a comunicação. E comunicação de qualquer coisa, não apenas de conhecimento. Emoções, aventuras, ideias, conceitos, ensinamentos, tudo isso pode ser encontrado nas páginas de um livro; tentar encontrar um único motivo para a leitura seria como tentar jogar todos esses extremamente diferentes aspectos da comunicação em um único balde e esperar que a mistura resulte em algo bom. Mas não vai.
Só de tentar imaginar uma versão do livro da Chapeuzinho Vermelho que faz um estudo sobre as plantas encontradas no caminho para a casa da vovó enquanto o lobo divaga sobre como é importante achar caminhos mais viáveis para se chegar ao destino pretendido sem maiores obstáculos e... seria terrível um livro desse.
Então, primeiramente eu gostaria de desmistificar essas respostas padrão, mostrar como elas são falhas e não respondem nada por completo. Vamos a elas: